quinta-feira, 10 de maio de 2012

Pastor - José Inácio Vieira de Melo


Pastor

José Inácio Vieira de Melo


Na noite do Sertão,
a vastidão das ondas do vento
— essas plagas sempre foram mar —
invade e inunda o que há,
com fúria maior que a das águas.

A voz das ondas do vento,
com seus passos sem rastros,
deixa marcas indeléveis
e açoita as dores
— esses cavalos xucros —
que disparam no íntimo do vivente
como numa Tróia às avessas.

E quando as chamas começam a afogar,
os olhos estendem-se aos céus,
mira-se a lavoura necessária:
uma roça de estrelas.

Aqueles olhos se ovelham
e o sono é sereno.

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